Colunistas

Publicado: Quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Estrada

Estrada
Escultura de Robin Wight

Quisesse alcançar equilíbrio financeiro, tinha que fazer a coisa certa. O cigano exigiu vinho pouco amargo mas não muito fraco. Pediu também um cigarro de menta e algumas frutas bem doces no alguidar. Ao final, o cambono dobrou o papel com as orientações e o deitou vivo, pulsante, nas mãos dela, que saiu às pressas para tomar o primeiro ônibus que passasse. Alcançou o Taylor’s na prateleira, abraçou forte contra o peito e partiu para a fila do caixa. “Passe no crédito, por favor... Se eu quero o melhor, tenho que ofertar o melhor”. A placa já dizia “limite de município”. Os carros escorriam de uma faixa para a outra, na euforia das ultrapassagens. Ela forrou o pedaço de grama do acostamento com uma folha de bananeira, juntou as coisas, fez uma oração e voltou para casa. Bateu o pé três vezes na soleira da porta, convidou as entidades e entrou. Foi seca para a cozinha botar um pedaço de pão, que fosse, no fundo do estômago. Dentro da gaveta de facas, a carta do SPC lhe cortou o coração.

Comentários

Conto... ou não conto?

Alex Pinheiro

Alex Pinheiro

Consultor em Turismo Receptivo e Turismo na Internet, exerce na literatura o seu desafio pessoal '1000 caracteres de uma história'. É colunista do jornal Taperá (Salto-Itu-Indaiatuba)

Arquivo

9 dias atrás

Eles Sabiam de Tudo

12 dias atrás

Urna Funerária

8 de agosto de 2018

Estrada

9 de julho de 2018

A ditadura do aroma

28 de maio de 2018

La Ciudadela